Alguns dizem que a vida é um jogo, outros que é um desafio, e há quem diga que a vida é uma dádiva. Bom, de todas as comparações eu sempre preferi uma que poucas pessoas costumam usar, a de que a vida é uma guerra. Uma guerra insana, cruel e muitas vezes até covarde. Uma guerra tanto de combate corporal quanto psicológico onde as missões a serem cumpridas são as armas mais importantes para se garantir a vitória... ou o sucesso, como queiram.
Desde cedo temos que cumprir estas missões: colégio; cursos; testes; mulheres; vestibular e muitas outras. Em todas, sem exceção, é preciso vencer mesmo que com algum atraso. Minhas missões nunca foram bem sucedidas. É como se depois de falhar por muitas vezes alguém mexesse os pauzinhos para o retardatário poder prosseguir. Não sei explicar o “por que” mas parece que eu estava predestinado a desistir antes mesmo de começar. Desistir para mim sempre foi a saída mais prática.
Depois de uma batalha, seja ela dura, sofrida, branda ou tranqüila, quando o resultado é a vitória a recompensa é um pacote repleto de animo, energia renovada, coragem para seguir em frente e vontade, acima de tudo vontade. Contudo, quando o resultado é a derrota o pacote vem vazio, o cansaço e a apatia se estabelecem e a vontade... não há mas vontade. Agora imagine isso multiplicado por várias e várias batalhas perdidas durante toda uma vida.
Não sou covarde, lutei muitas vezes como ninguém jamais o faria, com raça, gana e vontade pra dar e vender. Todavia, o resultado, mesmo depois de um esforço sobre-humano, continuava o mesmo. Eu via outros como eu vencendo suas batalhas, comemorando vitórias inesquecíveis. Mas e eu... porque eu não conseguia ter êxito nas minhas missões? Nunca consegui responder essa pergunta e como não me sobrava mais nenhuma recompensa das pouquíssimas batalhas vencidas, comecei a desistir.
A partir daí sempre que surgia um problema ou um obstáculo na minha vida eu tinha a saída perfeita, era só desistir, existe coisa mais prática e simples para se resolver um problema do que desistir dele? Eu não sabia, mas fazendo isso eu estava desistindo de mim. E foi isso que aconteceu, eu desisti de mim. Mas não só de mim, de minha família, de meus amigos, de ver o mar, de ter um filho, de ser promovido, em fim, desisti da vida. É isso mesmo, eu desertei, a guerra pra mim acabou. Chega de batalhas, chega de ter que estar sempre provando alguma coisa.
Nesse mundo não há mas nada reservado para mim, não vou embora dele agora mesmo por que existe uma ultima coisa que tenho que fazer. Até cumprir esse objetivo eu continuo na minha jornada solitária pelo desfiladeiro dos soldados desertores. Para aqueles que ficam e permanecem guerreando, eu desejo vitórias. Vitórias são importantíssimas, sem elas não há recompensas, sem recompensas não há vontade e sem vontade não há soldado. Como ultimo conselho: não desista jamais, aconteça o que acontecer, sob nenhuma circunstancia, em hipótese alguma desista.